A ponte
Quando percebi que a morte faz parte da vida
Descobri que pular da ponte seria a coisa mais careta a ser feita.
Seria como trabalhar durante 35 anos na mesma cadeira, na mesma repartição
Na mesma posição, paisagem de si mesmo,
manchando os anos bissextos com algumas lágrimas escuras -
Tempestade mesmo, apenas uma vez, e pela vidraça, do lado de cá,
O do ar condicionado.
Nunca umas gotas pesadas na cara
Nunca a roupa ensopada junto ao corpo
Nunca a vontade de pular da ponte
E no segundo imediatamente anterior ao da carcaça estourando
Desejar umas belas, coloridas e lógicas asas imponentes.


1 comentários:
Diego, ficou claro pra mim, que nesses versos está a lapidação dita anteriormente. Qualquer que seja o infortúnio, o momento... melhor dar asas à liberdade.
Apesar de tudo ainda continuo aprendendo a voar,e isso é bom.
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